CACHOEIRA DO SUL PREVISÃO
Cátia Liczbinski

Práticas de Consumo Sustentável para proteção ambiental

(Livro Consumo Sustentável - Cátia R M Liczbinski)

"O animal é tão ou mais sábio do que o homem: conhece a medida da sua necessidade, enquanto o homem a ignora" (Demócrito).
Uma das características da sociedade capitalista é o consumo como ação de adquirir bens e serviços. O consumo nasce da necessidade de adquirir o que foi indiretamente induzido pelo marketing e não exatamente aquilo de que precisamos e o que causa menor impacto ao meio ambiente.
A Declaração da Conferência do Rio dispõe no princípio 8: "Para alcançar o desenvolvimento sustentável e uma qualidade de vida superior para todos os povos, as nações deveriam reduzir e eliminar os padrões de produção e consumo insustentáveis e promover políticas demográficas apropriadas".
Também a Agenda 21 (ECO/92) no Capítulo 4 - Mudando os padrões de consumo - estabelece que as principais causas de deterioração ininterrupta do meio ambiente são os padrões insustentáveis de consumo e produção, especialmente nos países industrializados.  A mudança dos padrões de consumo exigirá estratégias centradas na demanda, no atendimento das necessidades básicas dos pobres e na redução do desperdício e do uso de recursos finitos no processo de produção. Os objetivos são: (1) promover padrões de consumo e produção que reduzam as pressões ambientais e atendam às necessidades básicas da humanidade e (2) desenvolver uma melhor compreensão do papel do consumo e da forma de se implementar padrões sustentáveis de recursos.
A redução de consumo nos países do Hemisfério Norte é fundamental para o acesso ao consumo das camadas da população mundial cujos níveis de renda estão muito aquém daqueles necessários a uma vida digna. Se imaginamos que apenas as populações de países como o Brasil, a China e a Índia venham a ter, suas necessidades básicas atendidas, podemos perceber que os atuais padrões de consumo das camadas mais favorecidas da população mundial são de fato insustentáveis. (SCHLESINGER, 2012).
Algumas ações práticas necessárias:
a) Preservar e disponibilizar os recursos naturais a todos com serviços públicos abranjam toda a população;
b) Coleta e o tratamento de esgoto para todos;
c) Utilização de fontes de energia renovável com baixo impacto ambiental. Construção de usinas de energia eólica, de energia solar e de pequenas hidrelétricas;
d) Incentivar a agricultura familiar, com a produção de alimentos sustentáveis, agricultura orgânica, ecológica, preservando a saúde humana dos agrotóxicos e diminuindo os impactos ambientais;
e) Políticas para a redução do lixo, com o retorno e o reaproveitamento de embalagens e sucatas para quem as produziu e com punição para a produção e a destinação inadequada de resíduos tóxicos e industriais;
f) Transportes coletivos, caminhada, bicicletas para evitar a poluição atmosférica
g) Evitar o desperdício da água, cuidando se torneiras e chuveiros estão pingando, evitar banhos demorados;
h) Escolher produtos orgânicos, aproveitar os alimentos na sua totalidade inclusive cascas, procurar ter uma alimentação saudável com enfoque nos grãos, legumes, vegetais e frutas;
 i) Optar por produtos ou serviços de empresas socialmente responsáveis, com selo de qualidade, que não poluem o ar ou a água;
j) Adoção de impostos verdes, de mecanismos de certificação de produtos e consum;
k) Realizar a coleta seletiva de lixo, com destino correto de latinhas de alumínio e garrafas PET, que podem entupir dutos, causando transtornos, como inundações.
O consumir com consciência é um exercício de cidadania. O ser humano ao ter o poder de escolha e optar por produtos e serviços menos prejudiciais à saúde e ao ambiente, exerce sua função na sociedade e seus atos repercutem no planeta.
A consciência do consumidor-cidadão de que de suas decisões depende o comprometimento do futuro de seus filhos e netos em questões simples, como a escolha do cardápio do almoço, o meio de transporte ou lazer do fim de semana, tem influência  sobre o meio ambiente.
São necessárias ações conjuntas enxergando a humanidade como um todo, pois o que diferencia as sociedades em termos de degradação ambiental e suas consequências é o "tempo". Umas são atingidas primeiramente pelos impactos ambientais, outras depois. Uma cidadania planetária será alcançada quando os interesses egoístas das nações desenvolvidas suplantarem os seus Estados, voltando-se para a preocupação real da problemática ambiental, que traz sequelas desastrosas aos países em desenvolvimento. É necessário que ocorra uma união global e que o planeta Terra seja considerado um "ser" único, não fragmentado; que todos os seres humanos e o meio sejam respeitados, colocando-se então a vida como centro do universo e não simplesmente o capital.
"Rico é aquele que sabe ter o suficiente" (Lao Tze).

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