CACHOEIRA DO SUL PREVISÃO
João Eichbaum

O Sujeito do sofá

"O sujeito do sofá é um idiota incapaz de entender uma polegada além do que lhe dizem os grandes grupos de comunicação". Essa definição é da lavra do respeitável cronista, um dos melhores do país, Percival Puggina, no texto intitulado "A Arrogância do Intelecto vai nos ferrar"?
Sim, existe tal tipo. É aquele sujeito que, por falta de cultura ou de leituras, despojado da capacidade de pensar, desconfiar, duvidar e criticar, aluga seus olhos e seus ouvidos para os grandes canais de comunicação como um penico que aceita tudo: líquido, sólido e gasoso.
Quando o resultado das urnas desmentiu fragorosamente as previsões e os palpites de comentaristas e institutos de pesquisas ligados a determinados grupos de comunicação, a casa ruiu para esses grupos. A mamata deles, sustentada pelas fontes de arrecadação fiscal, secou. E aí, desmamados, iniciaram essa guerra, que já dura quase três anos.
Empurrados contra o muro da falência, se entregaram ao desespero, perderam a criatividade, se desfizeram das propriedades que qualificam a boa imprensa, a imprensa séria, digna de crédito. Agora não têm freios nos dentes para falar mal do presidente, de seus filhos, de seus amigos.
É evidente que pessoas dotadas de inteligência, com níveis de cultura não envenados por paixões políticas, por ideologias dogmáticas infensas a contrarrazões, reunem condições de ponderar, avaliar, medir os fatos, e não se dobram à lavagem cerebral a que aqueles grupos querem submeter a população.
Essas pessoas, porém, são em menor número. Cultura, capacidade de entender e de pensar não dá em touceira.
Mas, o sujeito do sofá existe e, desde que apareceu a primeira emissora de televisão no país, se deixou dominar por ela. Esse sujeito perdeu - se é que a teve alguma vez - a capacidade de pensar por ele mesmo.  Para ele, as melhores horas do dia são aquelas em que ele se aboleta na frente do aparelho de televisão. Dali não sai. A televisão exerce um fascínio inelutável sobre ele. Encantam-no mulheres ou homens que aparecem em filmes, noticiários, programas de  calouro, novelas, e claro, programas pornográficos, como o tal BBB, de que se serve para satisfazer seu onanismo. O que os narradores de futebol e o Tite dizem, pra ele é lei. Mesmo que a imagem esteja mostrando o contrário.
Sim, esse é o sujeito do sofá, que certamente nunca leu um livro na vida, ou se leu algum, já nem se lembra do título e, muito menos, do autor. É o homem medíocre por excelência.
O sujeito do sofá é o objeto do desejo dos noticiaristas e comentaristas da televisão. É com ele que contam os grandes grupos de comunicação, para sairem do atoladouro que ameaça engolí-los. E agora, com a colaboração de Renan Calheiros, Omar Azis e a jurisprudência casuística do STF, bombas e mais bombas rondam o palácio do Planalto. Tudo, porque os aproveitadores do erário têm certeza de que o sujeito do sofá lhes garantirá a saída do Bolsonaro e eles voltarão a mamar nas tetas da república.

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