CACHOEIRA DO SUL PREVISÃO
Lais Abreu

Sobre nossos pais envelhecerem

Outro dia fiquei pensando no quanto o momento que estamos vivendo tem nos permitido passar por ocasiões diferentes e tem nos feito enxergar coisas que talvez a rotina corrida não nos deixaria. Há algum tempo, tenho percebido hábitos dos meus pais que, ou antes passavam despercebidos, ou se agravaram agora. Foi pensando nisso que me perguntei: quem deixou meus pais envelhecerem?

Não, meus pais não são extremamente velhos. Se for comparar com meus avós, estão extremamente novos, com os amigos deles estão normais, mas aos meus olhos e provavelmente aos olhos das minhas irmãs, estão envelhecendo. Ainda não sei dizer se isso tem ocorrido lentamente, ou rápido demais. O fato é que isso tem me causado alguma estranheza.

Quando somos crianças a sensação que temos é de que nossos pais são invencíveis, capazes de superarem qualquer coisa, mas aos poucos essa imagem vai se desconstruindo. Antes as dores deles não eram nada demais, enquanto o que eu sentia era urgente. Agora o quadro se inverteu. Sou eu quem cobro os litros de água diários, o uso de máscara e álcool em gel. Agora chegou a minha vez de dizer pra passar creme, tomar remédios na hora certa, pedir para que durmam cedo e descansem, que evitem pegar peso. Que lavem o cabelo ainda de dia e que se protejam do frio e da chuva. 

Não sei exatamente quando isso começou a mudar. Mas sinto uma diferença, a medida que fui me tornando adulta, sentia eles envelhecerem aos poucos. Mas quem deixou isso acontecer? O combinado é que eles seriam jovens e fortes para sempre. 

Vira e mexe perdemos a paciência com os nossos pais, como se voltássemos lá na infância e invertêssemos os papéis, damos broncas, ficamos irritados, exigimos que fiquem ativos e fortes, como gostaríamos que fossem para sempre. Mas no fundo, a nossa braveza é mesmo contra o tempo, é ele mesmo, que ameaça diariamente a presença deles. Por isso, não é justo que logo agora, as pessoas que mais amamos tenham que lidar com as nossas frustrações, eles merecem mais da nossa generosidade.

Mais carinho, mais amor, mais paciência, mais riso e menos bronca, mais apoio e menos cobrança, para que o envelhecimento deles aconteça junto com o nosso, da melhor maneira. 


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