Ricardo Peró Job

Luzes & Sombras

Para inglês ver

A primeira parte da proposta de reforma tributária entregue pelo governo federal ao Congresso, com o tema "Quando todos pagam, todos pagam menos", é para inglês ver. Pela reforma, nem todos vão pagar. A lista de isenções continua enorme, incluindo sindicatos, partidos políticos e até mesmo templos religiosos. A Zona Franca de Manaus continua mantida, e embora a alíquota da nova CBS seja elevada a 12%, bancos, planos de saúde e seguradoras vão ficar na forma antiga, ou seja, com alíquota de 5,9%.

Como a "reforma" tem de passar pelo Congresso, ainda há esperança de modificações que a tornem mais justas. Alguns deputados e senadores, em especial dos partidos Novo e Podemos, pretendem corrigir tais distorções, mas o lobby banqueiro e de outras categorias é forte entre os parlamentares e, como diria Ivan Lessa, "Não se pode enganar o povo o tempo todo. Mas 93% do povo, 87% do tempo, dá pé."

Mariquita chinesa

O ditador venezuelano Nícolas Maduro, depois de falar com passarinhos que incorporavam o também ditador Hugo Chavez, agora anda apaixonado pela China. Só falta vestir-se de monge shaolin para se transformar numa verdadeira mariquita chinesa. Segundo o Comitê de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos, Maduro está utilizando máquinas e serviços chineses para controlar os cidadãos de seu país. A pedido do ditador, companhias chinesas desenvolveram e instalaram programas e equipamentos de telefonia celular, de internet e sistemas de reconhecimento facial em todo o país, tudo para vigiar os cidadãos venezuelanos.

Irresponsável ou canalha?

Enquanto o governo Federal se esfalfa para pagar o Auxílio Emergencial para milhões de brasileiros, raspa os cofres para auxiliar Estados e Municípios no combate à pandemia, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, "segura" há dois meses R$ 177,7 bilhões. O valor seria suficiente para prorrogar o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 por mais seis meses. Apesar das muitas tentativas de parlamentares de destravar este dinheiro - pertencente aos fundos setoriais e destinados a combater a pandemia - o valor continua parado no Tesouro Nacional. O texto que libera a verba, que teve regime de urgência aprovado há mais de um mês, ainda não foi pautado na Câmara por Maia. Parte destes recursos está parada há 20 anos, e poderia ser usada agora, ao invés de aumentar o endividamento do país, um déficit previsto de R$ 805 bilhões. Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, a idéia é "desbloquear isso e justamente pagar a guerra ao coronavírus". Ao que parece, nosso herói anda com outras preocupações, como, em uma manobra imoral, ocupar novamente a presidência da Casa.

Mitos

A politização da pandemia, além dos malefícios causados, gerou reportagens que beiraram a imbecilidade. A guerra da cloroquina - e agora a da ivermectina - beirara o ridículo. Exemplos de ações governamentais "efetivas" citados pelas grandes redes, em especial a Globo, como as da Índia, África do Sul e Argentina, na época ainda não atingidas fortemente pela covid-19, se mostraram fake news, pois hoje infelizmente são a Itália, Inglaterra e Espanha da vez. A Suécia, a "Geni" da pandemia, pois quase ninguém "ficou em casa" ou "usou máscara", hoje possui quase um habitante em cada cinco com anticorpos contra a covid, a proporção mais alta de todos os países. As mortes e hospitalizações diminuem rapidamente no país e a proporção de casos positivos também cai vertiginosamente (de 12% em junho para 6% em meados de julho). Na metade deste mês tinha um total de 76.492 casos registrados, com 5.572 óbitos. O Reino Unido, com uma população seis vezes e meia maior, registra quase 300 mil casos e 46 mil mortos. A Itália, com uma população de 61 milhões de habitantes, também mais de seis vezes maior que a da Suécia, registra hoje 242 mil casos e 34.900 óbitos. Em Portugal, outro "exemplo" midiático, e que possui uma população semelhante a da Suécia (em torno de 10 milhões de habitantes), a pandemia vem crescendo, com mais ou menos 400 casos diários. Hoje Portugal tem um total de 37.672 infectados e 1.523 mortes por Covid-19, e o número de pessoas que já possuem anticorpos contra a doença não chega nem perto da situação sueca. A imprensa brasileira não quis enxergar o óbvio: por possuir fronteira terrestre apenas com a Espanha, que até a pouco esteve fechada, a doença demorou mais a chegar. Se fizermos a conta, proporção entre infectados e óbitos entre estes países, que adotaram o isolamento e a Suécia, que ignorou a questão, os números são bastante semelhantes, embora ao país nórdico leve a vantagem no fator imunização.


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