ALEGRETE

Jornalistas são agredidos por policiais militares

Dois policiais militares agrediram jornalistas em frente à Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Alegrete, na noite de quinta-feira (19/7). Os jornalistas Alex Stanrlei (47) e Paulo de Tarso Pereira (60), do jornal Em Questão, registravam a recuperação de cinco cabeças de gado furtadas do Exército Brasileiro (EB), quando Stanrlei foi impedido de registrar imagens do caminhão militar onde o gado se encontrava, pelo soldado do EB Willian dos Santos Nogueira, por ordem da tenente veterinária Patrícia Kappaun. Stanrlei optou por fazer uma transmissão ao vivo destacando o trabalho da Brigada Militar de Rosário do Sul, quando foi detido pelo soldado da Brigada Militar, Santo André de Freitas, que também tomou de Paulo de Tarso, diretor do Em Questão, o equipamento com o qual documentava a detenção do repórter. Simultaneamente, De Tarso sofreu um estrangulamento conhecido como "mata-leão", perpetrado pelo também soldado brigadiano Marion Soares da Silva, sendo levado ao chão juntamente com o colega, que foi algemado, arrastado, chutado e pisoteado pelos policiais. Na intenção de ofender verbalmente no interior da DPPA, de Tarso também foi chamado de velho, enquanto os militares do EB a tudo assistiam, sem qualquer intervenção.

Inquérito

O delegado regional da Polícia Civil, Valeriano Garcia Neto, instaurou inquérito policial para apurar os fatos. "Nesta semana vamos colher os depoimentos de todos os envolvidos, inclusive da oficial do Exército que estava presente, bem como os policiais plantonistas", disse. Garcia Neto classificou o ocorrido como "grave e inadmissível". "Foram impedidos de fazer seu trabalho e agredidos. Se trata de um jornalista respeitado na cidade pela sua postura, pela sua forma de trabalhar. Um profissional que tem o respeito de toda a Polícia Civil em Alegrete", disse. Os policiais acusam os jornalistas de desacato e desobediência, o que será também apurado no inquérito. 


Notas de repúdio

A notícia das agressões sofridas repercutiu em diversos jornais do Brasil, e entre as entidades representativas do jornalismo.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) disse que os jornalistas "exerciam sua atividade profissional, buscando informações de interesse público, e nada houve que justificasse a truculência. Além de ofenderem e atacar a integridade física dos repórteres, os integrantes da Brigada Militar atentaram contra o direito dos cidadãos de serem livremente informados."

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) repudiou a ação policial dizendo que "os jornalistas estavam no cumprimento da atividade" e "foram agredidos e detidos arbitrariamente", e solicitou "às autoridades competentes a imediata apuração dos fatos e a devida responsabilização dos agressores".

A Associação Riograndense de Imprensa (ARI) espera a apuração isenta dos fatos, com a consequente responsabilização dos agressores.

A Associação dos Jornais do Interior do Rio Grande do Sul (Adjori) pediu para que as corregedorias da Brigada Militar e do Exército Brasileiro investiguem os fatos ocorridos.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) disse que "intimidar jornalistas - sobretudo com o uso da força - constitui abuso de poder, fere a liberdade de imprensa e enfraquece a democracia", e exige investigação independente e isenta, e punição exemplar dos agressores.

Paulo de Tarso reafirmou seu propósito de manter-se firme e reto "na defesa do desempenho de uma das mais caras instituições democráticas que é o ato de exercer o jornalismo".

O Jornal A Notícia tentou contato com a Brigada Militar, com o 4º Regimento de Carros de Combate, e com a 6ª Brigada de Infantaria Blindada, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. 

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